Alimentação sem glúten e sem lactose: verdades e mitos

05.04.2019

Em Portugal, temas como “alimentação saudável” ou “estilo de vida saudável” aparentam ser uma tendência, mas isso não significa que a população esteja a fazer as escolhas certas e as mais conscientes.

Segundo a Ordem dos Nutricionistas, há uma massificação da procura de produtos sem glúten e sem lactose, que resulta num aumento de vendas destes produtos, havendo cadeias de supermercados a criar uma gama de produtos de marca própria, o que poderá não ser necessariamente bom para a saúde dos consumidores.

A moda dos alimentos sem glúten e sem lactose fez disparar o seu consumo, mas estas substâncias só devem ser retiradas da alimentação quando existe uma razão clínica para o fazer, e assim sendo, vamos lá desmistificar esta moda:

ALIMENTAÇÃO SEM GLÚTEN

Estima-se que apenas 5% da população portuguesa seja intolerante ao glúten. A Doença Celíaca é uma doença auto-imune que ocorre em indivíduos com predisposição genética causada pela permanente sensibilidade ao glúten, presente nos cereais:  trigo, centeio, aveia e cevada. A ingestão de glúten, mesmo em pequenas quantidades, leva o organismo a desenvolver uma reação imunológica com efeitos penalizadores a nível gastrointestinal, sendo fundamental um diagnóstico atempado porque o único tratamento disponível é uma dieta sem glúten para toda a vida. Para além da doença celíaca é atualmente admitida uma outra forma de intolerância ao glúten designada de “sensibilidade ao glúten não celíaca”, em que o indivíduo apresenta sintomas como desconforto abdominal, flatulência, diarreias ou obstipação, dores de cabeça, etc., mas sem alterações da mucosa intestinal.

ALIMENTAÇÃO SEM LACTOSE

A prevalência mundial de intolerância à lactose é de 70%. A intolerância à lactose refere-se aos sintomas decorrentes da presença de lactose mal digerida no intestino que está presente nos produtos lácteos. Para digerirmos a lactose necessitamos de uma enzima que está no intestino (lactase), que tem a função de dividir a lactose nos seus componentes mais simples (glicose e galactose), permitindo a sua absorção para a corrente sanguínea. Quando o organismo não produz lactase suficiente, a lactose permanece “inteira” no intestino, podendo causar sintomas de desconforto abdominal, como dor, diarreia, náuseas, flatulência e/ou inchaço abdominal. A intolerância à lactose é controlada de forma simples, através de uma dieta com teor reduzido de lactose ou sem lactose.

Quando alguém abandona totalmente o consumo de produtos lácteos por receio de ser intolerante à lactose, caso não o seja, poderá correr o risco da não produção dessa enzima e consequentemente poderá resultar na sua ausência no organismo.

Por esta razão, só se deve eliminar a lactose e o glúten depois de o médico confirmar, através de testes específicos, se há intolerância ou não. Caso deixem de consumir alimentos com estes nutrientes, por uma questão de moda, poderão desenvolver intolerância.

Em contrapartida, alimentos com estas alegações são mais caros e por vezes mais calóricos, a população poderá estar a pagar mais e a modificar os seus hábitos alimentares sem razão aparente.  Primeiro devem-se certificar se existe alguma razão clínica para tomar esta decisão de eliminar o glúten e ou lactose de forma consciente, e por sua vez, devem ser orientados por um nutricionista.

Outro alerta, desdobra-se sobre as redes socias e os blogs que parecem ter cada vez mais um grande impacto sobre as escolhas alimentares da sociedade, embora nem sempre poderão ser as mais acertadas e/ou fundamentadas.

Será importante alertar que a procura de informação sobre este tema seja feita através de sites ou blogs credíveis.

Marta Babo Leal CP 2608